Aretha Franklin gravou pela primeira vez aos 14 anos

Cantora norte-americana, Aretha Louise Franklin nasceu a 25 de março de 1942, em Memphis, Tennessee. Filha de um famoso cantor gospel, o reverendo C. L. Franklin, começou por cantar com as irmãs na igreja batista de seu pai. Como cantora gospel, gravou pela primeira vez aos 14 anos, tendo feito várias digressões durante a adolescência.
Aretha Franklin é um dos nomes mais sonantes da música soul, mesmo da pop americana. Mais do que qualquer outro artista, Aretha deu uma nova dimensão a este estilo musical, sublinhando as influências dos gospel negros. É frequente apelidada de “Lady Soul”, a senhora do soul, e este epíteto não é exagerado. A série surpreendente de êxitos, em pleno final dos anos 60, associada à Atlantic Records, assegurou-lhe um estatuto ímpar no cenário musical americano. Temas como “Respect”, “I Never Loved a Man”, “Chain of Fools”, “Baby I Love You”, “I Say a Little Prayer”, “Think”, “The House That Jack Built”, entre outros, fizeram de Aretha Franklin um ícone incontornável da música mundial.
As décadas de 60 e 70 constituíram o auge da sua carreira, graças a êxitos como “I Never Loved A Man (The Way I Love You)”, “Respect”, “Baby I Love You”, “(You Make Me Feel) A Natural Woman”, “Chain Of Fools”, “(Sweet Sweet Baby) Since You’ve Been Gone”, “Think”, “The House That Jack Built”, “I Say A Little Prayer”, “Bridge Over Troubled Water”, “Don’t Play That Song”, “Spanish Harlem” e “Rock Steady”.
A vida de Aretha Franklin começou, desde muito cedo, a ser influenciada pelos espirituais negros. Cantou, na companhia das suas irmãs, Carolyn e Erma, na igreja do seu pai, o reverendo C. L. Franklin, em Detroit. Os seus primeiros registos discográficos, como cantora de gospel, acontecem aos 14 anos. Apesar de hoje se saber que esteve muito perto de assinar com a prestigiada Motown, a verdade é que Aretha Franklin acabou por gravar para a Columbia, trazida para a fama pelo caça-talentos John Hammond. Durante a primeira metade dos anos 60, a cantora gravou para esta editora, conseguindo alguns sucessos de R&B e um single que fez parte do Top 40 americano, chamado “Rock-a-bye Your Baby with a Dixie Melody”. Mas não foi com estes registos que Aretha despontou para o sucesso. Diz-se que, durante este período, o trabalho da cantora era pressionado e influenciado por uma estratégia orientada para as sonoridades pop, muito em voga na época. Quando Aretha Franklin trocou a Columbia pela Atlantic Records, o produtor Jerry Wexler estava determinado a conseguir fazer da cantora uma artista de soul. Na sequência desse objetivo foi gravado o primeiro single “I Never Loved a Man (The Way I Love You)”, com a colaboração de alguns músicos de R&B credenciados, os Muscle Shoals Sound Rhythm Section, que haviam de colaborar com a cantora noutros trabalhos.
No final dos anos 60, após alguns discos bem-sucedidos, Aretha Franklin era uma estrela de sucesso, um símbolo de afirmação da América negra, numa década marcada pelo surgimento de movimentos defensores das minorias e dos direitos civis. Em relação ao sucesso comercial, os números falam por si: 10 singles foram n.º1 desde o início de 1967 até ao final de 1968 e muitos outros êxitos nos cinco anos seguintes. Os LP gravados pela Atlantic também atingiram números interessantes, suplantando as marcas de outros nomes da soul da época. O repertório das gravações contemplava uma diversidade de coisas, desde clássicos originais aos temas gospel, aos blues, ao pop e a versões do rock, nomeadamente dos Beatles, Simon & Garfunkel e dos Drifters. Com esta versatilidade a cantora conseguiu obter popularidade junto de públicos diversos e de diferentes afinidades musicais. Definitivamente, Aretha Franklin tinha um rumo e esse caminho chamava-se sucesso. A cantora não se desviou desse trajeto no início da década de 70, estreando-se no papel de produtora em dois dos seus discos Live at Fillmore West (1971) e Amazing Grace (1972). Este álbum foi gravado ao vivo com o reverendo James Cleveland e o Southern California Community Choir, e proporcionou-lhe o oitavo grammy da sua carreira. Este registo foi um dos mais bem-sucedidos da história dos álbuns gospel, conseguindo um lugar no top dez dos EUA. Os anos seguintes ficaram marcados por mais alguns êxitos. O tema “Angel” e a versão de Stevie Wonder “Until You Come Back to Me” conseguiram bons resultados e pareciam indicar uma orientação mais popda cantora. O contrato com a Atlantic cessou no final dos anos 70 e, desde então, a cantora apenas conseguiu alguns êxitos esporádicos, como, por exemplo, Who’s Zooming Who (1985)e Jump to It (1982). Outro regresso às suas raízes surgiria em 1987, com One Lord, One Faith, One Baptism. Ainda neste ano tornou-se a primeira mulher a entrar para o Rock and Roll Hall of Fame.
Ainda nos anos 80, a cantora edita Through the Storm (1989). A este seguiram-se outros fonogramas pouco mediáticos,What You See Is What You Sweat (1991), A Rose Is Still a Rose (1998), So Damn Happy (2003) e diversas compilações dos seus maiores hits.